quarta-feira, 5 de outubro de 2011

Obesidade - Emagrecimento com a musculação



Eis aí mais uma questão há muito tempo debatida e de uma certa forma, criou-se em torno desse assunto muitos mitos e falsas verdades.

Não resta dúvida, como vimos na parte anterior, que os exercícios aeróbios, considerando o gasto calórico são os mais adequados nessa questão de emagrecimento e nos anos 70, muita gente endeusou-os tanto chegando a se pensar ser a solução para todos os problemas de saúde. Por conta disso, ficou uma imagem negativa com relação aos anaeróbios, como por exemplo a musculação. "Por si só, não trazem tantos benefícios para a saúde". "Não adianta nada". "Só serve pra ficar forte e, não emagrece" - Diziam - Ledo engano! Vamos ver porque?

A comunidade científica já provou ser o emagrecimento na musculação similar aos exercícios aeróbios mais tradicionais como as caminhadas, as corridas e o ciclismo.
A explicação é simples. Os aeróbios utilizam a gordura como principal fonte de energia. Sabe-se também que determinadas zonas de intensidade podem gastar mais gorduras do que outras e esse gasto também se relacionar com o tempo de permanência nessa zona. Tudo isso é verdade e não faltam estudos mostrando isso. 

Mas, também é verdade, e a literatura fidedigna tem sofrido revisão mostrando a importância da musculação nesse assunto emagrecimento. A diferença, analisando pela ótica da Fisiologia, é que na hora do exercício o corpo utiliza o glicogênio muscular como principal fonte de energia. Depois, como o organismo tem de repor, vai buscar nas gorduras proporcionando o emagrecimento. Simples, né?

E tem mais. O aumento da massa muscular acelera o metabolismo basal fazendo a longo prazo o corpo gastar mais energia parado. Como o que vale nessa questão de emagrecimento é o balanço calórico, se for positivo, engorda; negativo emagrece. É a lógica, ou não?

Bom, a gente não precisa também recorrer à comunidade científica para comprovar isso. A olhos vistos, os fisioculturistas têm um percentual de gordura tão baixo quanto os atletas de resistência.

Steven Fleck cita no seu livro Fundamentos do Treinamento de Força, atletas com o percentual de gordura variando de 8,3 a 12,2% e as mulheres da mesma modalidade estando na média de 13,2 a 20,4%. Portanto, muito abaixo da maioria considerada normal que é de 14 a 16% para os homens e 20 a 24% para as mulheres.

Claro, tudo isso só funciona também se vier acompanhado de uma dieta saudável. Se o sujeito malhar bastante e depois comer muito não adianta absolutamente nada. Aí tanto faz se o exercício é aeróbio ou anaeróbio. O fato é que a musculação colabora com o emagrecimento, dá mais disposição, aumenta o metabolismo e para o obeso tem a questão da segurança com relação ao impacto nas articulação sendo na musculação menor quando comparadas a algumas atividades aeróbias.

Além disso, podemos, com a ajuda das máquinas, trabalhar grupos musculares isolados conforme a necessidade de harmonia e ou reforço muscular atendendo os objetivos particulares do aluno.


Segundo os últimos relatórios do Colégio Americanos de Medicina Esportiva, (ACSM, 1995), não é necessário fazer só exercícios aeróbios por um tempo determinado para depois elaborar um novo programa de aumento de massa muscular. E se o aluno for um daqueles que detestam caminhar ou ficar "x" minutos em atividade contínua?

 O programa pode já ser fadado ao fracasso por não respeitar o princípio da preferência do aluno. Digamos que ele goste muito de musculação.

Aí entra mais uma vez o bom senso profissional. O programa pode ser elaborado com uma série composta de seis a oito exercícios multiarticulares envolvendo os grandes grupos musculares e uma atividade aeróbia a ser negociada. Em se tratando de obeso o método de preferência, deve ser o alternado por segmento.
O objetivo é sempre indicar atividades de maior gasto calórico e poucos exercícios estimulando o gosto pela atividade. O exercício não deve parecer uma coisa chata, difícil e como toda atividade física, a orientação é mais importante.



Conclusão - Os estudos apresentados depois de 95, parecem romper o paradigma de que "só" os exercícios aeróbios seriam os recomendados para o emagrecimento.

Na prescrição do exercício deve ser priorizado o prazer individual a fim de aumentar as chances de virar um hábito de vida saudável.

Deve ser abolida a questão de um tempo mínimo de atividade. Qualquer exercício gasta calorias sendo melhor do que nenhum. Limitar intensidade mínima, para algumas pessoas pode ser altamente desmotivante.

Considerando gasto calórico, tanto faz se a atividade é contínua ou intervalada. Pedalar 4 x 10 minutos pode ser tão bom quanto 40 minutos de uma vez. Um obeso pode ser capaz de intervalar e não conseguir fazer tudo e uma vez.

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